Entrevista Exclusiva com o Fernando Manfio CEO da GoOn

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Sócio-fundador da GoOn – Evolução em Gestão de Riscos ( fundada em 2002 com o nome de Witrisk) – a maior consultoria exclusivamente voltada ao mercado de riscos , crédito e cobrança do país. Engenheiro formado pela USP, tem a função de contribuir para a aceleração da eficiência das corporações, para que seus colegas e clientes se tornem referência em Inteligência em Gestão de Riscos no país em seus diversos mercados, através de aumento de consciência na gestão e nas decisões do dia a dia, busca por ferramentas, tecnologias inovadoras e formação de profissionais.Autor do livro “O risco nosso de cada dia” (Ed. Estação das Letras).

Idealizador do Fórum GoOn (GoOn Fair) para o mercado de riscos, crédito e cobrança, busca promover o encontro das pessoas e profissionais do ramo para o verdadeiro compartilhar de conteúdo, experiências e divergências; em um ambiente humano, dinâmico e positivo!

Coach profissional, pelo Instituto Ecosocial, credenciado pela ICF ( International Coach Federation) e em 2013, pela SBC ( Sociedade Brasileira de Coach). Desenvolveu metodologia exclusiva, simples e lógica para a Liderança no mercado de Riscos, Crédito e Cobrança.

R&R: O Sr. atua no mercado financeiro há um bom tempo, mercado este conhecido pelo alto stress. Como concilia esta atividade com a prática do budismo, da qual o sr. é um entusiasta?

FM: Atuo no mercado financeiro (em Crédito e Cobrança) há 30 anos, sempre competitivo e por vezes muito frio, mas cheio de inteligência e oportunidades de aprendizado. A minha evolução pessoal está diretamente ligada à evolução profissional. Não tem como separar. As práticas espirituais e de respiração (“meditativas”) tem absolutamente “tudo a ver” com este mercado. Aliás, esse tipo de trabalho tem uma “chamada” para essa busca, pois a satisfação humana e interior não acontecem sem esse “algo a mais”, esse mergulho interior.

E diferentemente do que muita gente imagina, você se torna mais criativo, mais produtivo e ainda mais aberto às situações do dia a dia. A qualidade de vida e no trabalho crescem em conjunto, seus relacionamentos melhoram, seu ganho financeiro aumenta…tudo ligado ao potencial que passamos a exercer quando eliminamos as emoções e ações limitantes que estão em nossa mente e corpo!

R&R: Há alguns anos o Sr. escreveu um livro, O risco nosso de cada dia, movimento raro neste segmento e um sucesso. Podemos esperar um novo? Por acaso teria o título de “O Financeiro e o Monge”…rsrs?

FM: Acho que o meu livro traz uma questão mais didática para o Crédito. Eu de “monge” não tenho é nada, rsrs. E também nunca fui financeiro de verdade. Gosto de me olhar como um “engenheiro humano”, pois adoro construir, evoluir através da lógica e da comunicação humana. Sempre amei matemática, futebol e seres humanos, mas não me dava tão bem com esses “seres” lá atrás no trabalho… rsrs, tive que me entender e me aceitar para entender e aceitar os outros, podendo assim me relacionar melhor. Quando a gente se olha no espelho e não vê, os outros mostram como a gente é. Tem muita lógica matemática na espiritualidade.

Sou uma pessoa cada dia mais consciente de meus pensamentos, sentimentos e ações, nada mais que isso, talvez até aceitando melhor meus defeitos e qualidades, e com certeza amo compartilhar isso com as pessoas. Buscar a excelência como profissional foi a base desta busca e aliviar as angústias cotidianas a outra razão. Nós seres humanos evoluímos por necessidade e para aliviar a dor, talvez a dica maior seja que tudo o que buscamos já está aqui e agora, mas não conseguimos ver. Tirar as vendas desse bloqueio do inconsciente permite mais prazer de viver, que é a meta maior de todos, imagino!

Penso sempre num segundo livro, e sim, tem a ver com auto-conhecimento e liderança, afinal uma vida sem saber quem somos é uma vida vazia e sem propósito. Mas ao mesmo tempo o Crédito faz parte de minha vida e falar sobre o tema é sempre maravilhoso.

Estou esperando o momento certo para colocar no papel minhas experiências dos últimos 10 anos à frente da GoOn e do Fernando! rsrs

R&R: O Sr. possui experiência internacional com passagens por alguns países da Europa. O que estes países agregaram de positivo em sua carreira?

FM: Na realidade o que mais agregou em minha carreira foi o conhecimento que o Citibank trouxe sobre gestão de riscos, aqui e lá fora. O fato de estar fora permitiu muito mais um conhecimento de mim mesmo e quebras de medos e barreiras infantis que ainda me limitavam! Para vencer o medo temos que ser muito corajosos e eu fui!

Outro ponto foi uma desmistificação do “mundo lá fora”, saber que, mais ou menos, é tudo muito parecido e que temos todas as possibilidades aqui também. Isso foi muito bom para minha carreira. Se você é o melhor aqui, pode ser o melhor do mundo também.

R&R: A GOon já realizou centenas de consultorias em empresas de grande, médio e pequeno porte. Em linhas gerais, quais as maiores deficiências existentes no mercado de gestão de risco?

FM: Depois de 14 anos de Witrisk/GoOn, mais de 700 projetos implantados em mais de 200 clientes, posso dizer que as “carências” foram se alterando ao longo do tempo. No início, em torno de 2002, faltava conhecimento teórico de gestão de riscos, faltava a cultura da matemática na forma de gerenciar créditos. Ao longo do tempo a carência mudou para ferramentas de suporte e operação, depois de ferramentas de inteligência…. hoje em dia falta mais trabalho de lideranças e consciência dos gestores, produtividade e foco mesmo, pois a inteligência e as ferramentas estão ai. Como unir a lógica com a intuição e experiência tácita do dia a dia é um desafio ainda nas empresas. Essas carências também variam de mercado para mercado. Faltam às vezes simplicidade e clareza nos propósitos dos profissionais para totalizar os resultados e se relacionarem melhor, esse é o maior desafio de hoje.

R&R: Como o Sr. compara os profissionais do mercado de crédito e cobrança de hoje com os profissionais de alguns anos atrás? Houve evolução?

FM: Muita evolução, muita mesmo. Hoje os profissionais já têm o conceito, muita prática e o ferramental! Conhecem muito mais que antes e tem maior segurança para o direcionamento de suas ações. Muitos já buscam o Coaching como ferramenta de auto liderança e aumento de foco, o que é fantástico.

Saímos de um estado de maior ignorância e incapacidade para um estado de maior consciência e capacidade…..Embora eu ache que ainda falta uma visão mais abrangente do negócio, busca por evolução e transformação do status quo, um desarmamento do orgulho individual, mais colaboração espontânea e o olhar humano de impacto social em tudo o que fazemos.

R&R: Uma parcela significativa das empresas de recuperação coloca entre suas especialidades a presença de modelos comportamentais de cobrança (Behavior Scores). Na prática isto funciona ou é uma mera propaganda?

FM: Funciona e muito! “Behaviour” significa comportamento e sabemos que na vida, comportamento passado prevê comportamento futuro. Estatística aplicada à vida, em tudo o que fazemos… até na medicina funciona, por que seria diferente em gestão de riscos de créditos concedidos a seres humanos que se comportam e agem de forma similar? Funciona sim e além de ser o presente, é o futuro. Não se pode mais viver sem eles!

Só não acho que seja uma parcela significativa das empresas que utiliza ativamente e com coerência os modelos comportamentais. Mais se fala que se usa, e, quando se usa, não se usa de forma tão adequada muitas vezes. Além disso, precisamos exercer e criar a cultura de uso da estatística como um grande parceiro do ser humano e não como um rival! Como qualquer conhecimento e qualquer ferramenta, não basta ter, precisa querer e saber usar!

R&R: Há uma grande proliferação de empresas de modelagem de crédito, cobrança, marketing e vendas. Como distinguir o joio do trigo?

FM: Pois é, pergunta difícil. Eu acho que confiança é a pedra fundamental. Não basta conhecimento, uma empresa tem que ter propósito! Estou há 14 anos no mercado e uma coisa é certa, sou confiável. Nem sempre o melhor, mas não deixo cliente nem seres humanos na mão.

De novo, o mais importante não é a ferramenta, mas o saber usá-la, o suporte técnico e humano para o melhor aproveitamento!

E claro, pilotos e referencias sempre ajudam a escolher. Nós da GoOn temos essas soluções, mas nosso objetivo vai muito além delas.

R&R: A GoOn é uma empresa especialista em modelagem de crédito e de gerenciamento de risco. Como o Sr. acredita que a sua empresa auxilia os gestores destas instituições na correta tomada de decisão?

FM: Nossa contribuição é muito rica em vários sentidos e por isso somos uma das únicas que estão no mercado há tanto tempo! Eliminamos desperdícios de todo os tipos que muitas empresas ainda não enxergam. Nos processos, na gestão, na inadimplência, nas vendas, no stress, nos profissionais, enfim, temos esse propósito, do olhar para o todo.

Eu diria que somos uma empresa que promove a evolução DO crédito e não de crédito somente como produto. O Crédito é muito mais que um produto, é um negocio completo, uma relação com seres humanos, uma ferramenta social de auto poder e um promotor da economia do pais.

Quando se olha “o crédito”, as tomadas de decisões são baseadas em muitos fatores e aliadas ao momento e ao propósito da empresa. As decisões de crédito podem mudar ao longo do tempo, mas a visão DO crédito não muda nunca! Crédito é confiança, é relacionamento, é capacitação, é evolução, é atendimento das necessidades humanas, é lucrativo e traz uma possibilidade de carreira mais que interessante!

Acho um absurdo não termos ainda no Brasil uma formação especifica de crédito nas faculdades, deveria ser uma profissão há muito tempo! Ou no mínimo uma especialização. Não existem no Brasil programas adequados e práticos nas universidades sobre esta nossa profissão, todos caem no lado financeiro unicamente.

R&R: Ainda existe no mercado uma certa desconfiança em relação aos modelos comportamentais. O que é necessário fazer para se desmistificar um conceito tão presente, principalmente entre os executivos que possuem uma maior experiência de mercado?

FM: Acho que respondi uma parte dessa questão acima. Muitos profissionais (consciente ou inconscientemente) tem medo de evoluir, medo de perder seu poder e sua auto-importância. Essa é a maior razão, pois a estatística é real e funciona, em tudo. Não querer ver, esse é o “mito” real, não os modelos..rsrs

R&R: A inadimplência continua em alta. Quais as razões para a permanência deste quadro e como revertê-la?

FM: Ora, isso de uma forma já era esperado, afinal tudo tem seu limite. Não vejo como uma tragédia, embora esteja doendo muito. Vejo como parte de um processo de aculturação e evolução do mundo do Credito. Todos estes inadimplentes serão os futuros clientes um dia…será que estamos lembrando disso? São as mesmas pessoas que as empresas correram atrás seduzindo e oferecendo seus produtos e serviços. Aqueles atraentes consumidores não morreram, estão aí, inadimplentes agora…mas fruto de uma relação de desequilíbrio, além, muito além da crise do país…aliás, que também deveria ser esperada. O otimismo brasileiro é lindo e pungente, mas ainda infantil e irresponsável, por vezes. Apendemos a ganhar com crédito através dos juros e não da capacitação e busca da tal “sustentabilidade” (que muda de nome a cada 3 anos).

Muitas empresas, já mais conscientes, não estão passando por isso de forma tão aguda. Souberam se preparar!

Usamos ao máximo as emoções dos consumidores (e sem vítimas e algozes aqui ok?) para que fossem com muita sede ao pote do crédito. Mas, como disse antes, crédito é para atender necessidades humanas e não para trazer lucro financeiro somente ”per se”. Ambas tem que andar juntas! Faz parte!

Não somos um país que preza por planejamento, educação e produtividade! Isso está refletido em nossas vidas e em nossas empresas. Mas cada momento tem sua importância e a hora chegou de olharmos para o que resistíamos olhar, acredito que demora, mas vai passar!

R&R: Como o Sr. vê as perspectivas da oferta de crédito para 2017?

FM: Muito parecida com as deste ano. A transformação que se faz necessária nesse momento ‘mais forte` que uma jogada econômica, virá dos seres humanos, da população , dos consumidores. Sim, como tudo, vivemos em uma espiral crescente, apesar de não parecer, estamos evoluindo, mas não será rápido, se for para ser consistente.

R&R: Que conselhos o Sr. daria para aqueles profissionais que lidam com todo tipo de risco na sua atividade profissional?

FM: Uau, auto-conhecimento e consciência são suas maiores ferramentas/alavancas!

O resto é mais fácil! Olhe para dentro de si e observe as barreiras e os desperdícios, os jogos da mente que tanto impedem um crescimento real, a mentiras que contamos a nós mesmos para agradar um ou outro, às vezes a nós mesmos aparentemente.

Aumente seu potencial, já que a formula do sucesso é :

REALIZAÇÃO = POTENCIAL – INTERFERÊNCIAS!

Elimine as interferências e naturalmente alcançará o sucesso pelo seu potencial já existente!

Busque conhecer melhor as tendências, o mercado, se abrir para novos conhecimentos e possibilidades, observe as questões sociais, dentro e fora de sua empresa e comunidade.

Depois disso, olhe para “O” Crédito e não somente para o meio de pagamento e processos ou produto. Olhe para o todo, para a cadeia de valor, para a governança, para a gestão, para o seu proposito e o de sua empresa! Observe o ambiente e reflita do que realmente precisa.

E claro, BUSQUE AJUDA, de todo tipo!

Pois não estamos sozinhos no mundo. Nunca! Temos muito a contribuir uns com os outros!

Fernando Manfio

Fernando Manfio

CEO em GoOn Risk
Engenheiro formado pela USP e, de 2011 a 2013, se tornou “Coach” profissional, pelo Instituto Ecosocial, credenciado pela ICF ( International Coach Federation) e em 2013, pela SBC ( Sociedade Brasileira de Coach). Realizador do Fórum GoOn para o mercado de riscos, crédito e cobrança que busca promover o encontro das pessoas e profissionais do ramo para o verdadeiro compartilhar de conteúdo, experiências e divergências; em um ambiente humano, dinâmico e positive. É também autor do livro “O risco nosso de cada dia” ( Ed. Estação das Letras).
Fernando Manfio

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