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Faz sentido insistir que o mercado de crédito continuará crescendo no País. Cada vez mais competitivos, produtos e serviços apresentarão um preço final ao Consumidor sempre menor.

Daí que o dilema da comunidade de crédito continuará presente: como conceder crédito de forma barata, com controle do nível de perdas creditícias e, ao mesmo tempo, aumentar o potencial de venda de outros produtos de forma a maximizar o resultado por cliente?!

Nessa década assistiremos a explosão do mercado imobiliário – importantíssimo – na composição de uma carteira de longo prazo que, finalmente, veio para ocupar seu espaço. Mais segurança jurídica acoplada com uma engenharia financeira que propicia o financiamento a prazo longo está formando a estrutura básica para que a oferta de novas moradias chegue a um consumidor ávido pelo produto e que, devido à formação de uma nova classe “C” no País, têm plenas condições financeiras e sente-se suficientemente seguro para investir no seu próprio futuro.

Por um lado, notícia bastante positiva para a economia como um todo. Por outro, mais um desafio para a comunidade de Crédito: empréstimos com garantias (Consignado, Veículos e Moradia) apresentam margens significativamente menores do que aqueles que têm sido o carro-chefe das Instituições até agora (Empréstimo Pessoal, Cheque Especial e Cartões de Crédito). Adicione-se aqui outra pitadinha de problema: a pressão que o Parcelado sem juros exerce sobre a formação de preço do Rotativo no Cartão de Crédito. Sem esquecer a pressão governamental forçando a diminuição do spread!

Esse quadro continuará impondo a necessidade de melhorias constantes no desempenho do Ciclo de Crédito e se, nas questões relativas à melhoria dos processos operacionais já se percebe a formação de um “moto-contínuo” à medida que novas tecnologias surgem, na reforma estrutural necessária quanto à efetiva utilização de um cadastro consolidado com informações creditícias no nível transacional (que, equivocadamente, chamamos de Cadastro Positivo), isso ainda não é verdadeiro.

Infelizmente, alguns anos se passaram desde o início da luta do Cadastro Positivo e as questões referentes à sua utilização continuam “patinando”. Quase nada foi feito. Claro que a brutal concentração do Crédito em poucas Instituições contribui para a manutenção do “status-qüo” o que é ruim para a insana luta das autoridades na busca de preços finais mais alinhados com o mercado internacional.

Porém, agora, o momento é outro e me parece não existir muitas outras alternativas inteligentes para todos (inclusive os grandes bancos) do que apoiar a rápida adoção dessa rica base de dados.

Ao fim do dia, ganharemos todos!

Maiores benefícios estão reservados para aquelas organizações que se preocuparam em dotar sua estrutura de gestão de risco de ferramentas adequadas para a segmentação e modelagem de dados, desenvolvimento de produtos ajustados ao tamanho do risco e custos compatíveis.

Torna-se cada vez mais importante, aliar as questões de modelagem de dados com uma avaliação apurada das tendências de mercado. Soluções de crédito são fruto dessa análise e, conseqüentemente, perecíveis. A demanda por revisão das políticas é uma constante para garantir o cumprimento da máxima da Gestão de Risco Massificado: tomar o risco necessário para que se obtenha o maior retorno possível. A flutuação de preços, emprego, poder aquisitivo, taxas de aprovação bem como peculiaridades do mercado-alvo (segmentos sócio-econômicos, região de atuação, entre outros) devem sempre estar presentes no processo de formulação de uma política de crédito.

O desafio atual – que precisa ser rapidamente resolvido – está em que a “zona de conforto” dos gestores de risco está perigosamente concentrado na simples recusa de um pedido de crédito. No médio prazo, carteiras menores, forçarão a todos reverem seus custos e a pressão por aumento de preço será cada vez mais difícil de conseguir-se. Insisto que crédito é a ciência e a arte de dizer sim. Que pode ter condicionantes, sem dúvida..

Percebam, por favor, que essa ciência/arte é desenhada para o futuro. Utiliza-se do passado como qualquer outra ciência behaviorista, mas a decisão nossa de cada dia estabelece como será o amanhã.